Levantamento mostra atraso no plantio de milho 2ª safra em Goiás e no Paraná

Dados da EarthDaily Agro, empresa que realiza o monitoramento das lavouras de safra por satélite, mostram que, em Goiás, a curva do índice de vegetação (NDVI) evidencia um ciclo da soja mais longo na temporada atual, principalmente se comparado à safra passada. O que afeta o plantio da segunda safra do milho.

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As baixas temperaturas no início do desenvolvimento das lavouras colaboraram para o alongamento do ciclo. Com esse cenário, de acordo com a empresa de monitoramento, é de se esperar que a colheita da soja afete diretamente outra cultura. Assim, é estimado que se atrase o plantio do milho segunda safra. Para a segunda quinzena de fevereiro, tanto o modelo europeu (ECMWF) quanto o americano (GFS), indicam chuvas acima da média para parte das regiões produtoras de Goiás.

Analista de culturas da EarthDaily Agro, Felippe Reis aponta que o estado do Centro-Oeste não é o único do país a conviver com essa situação: do ampliamento do ciclo da soja atrasar o plantio do milho segunda safra. De acordo com ele, esse problema também é enfrentado por produtores rurais paranaenses.

“No Paraná, o NDVI também mostra um alongamento do ciclo de verão, o que pode atrasar ainda mais a semeadura da segunda safra”, afirma Reis. “No estado, os trabalhos nas lavouras estão atrasados em virtude da alta precipitação registrada no fim de janeiro e início de fevereiro. Para os próximos dias, a previsão é de baixa precipitação, com volta de chuvas mais intensas no início da segunda quinzena de fevereiro”, prossegue o especialista.

Colheita da soja e plantio do milho em outras áreas produtoras

Foto: Tony Oliveira/CNA

Em Mato Grosso, a EarthDaily Agro aguarda por chuvas abaixo da média para os próximos dias, o que não deve atrapalhar o ritmo da colheita da soja. A umidade do solo irá se manter próxima à média e, assim, a expectativa é de produtividade acima da tendência no estado, uma vez que o NDVI apresentou boa evolução durante o ciclo.

O volume de chuva em Mato Grosso do Sul foi suficiente para permitir o bom desenvolvimento da soja. A boa evolução do NDVI aponta para uma ótima produtividade, em torno de 3,8 a 3,9 toneladas por hectare. Número cerca de 51% maior em comparação com a temporada anterior, de acordo com os dados de sensoriamento remoto da EarthDaily Agro.

No Sudeste, para os próximos dias, a chuva se mantém em bons volumes restringindo as operações no campo. São Paulo deverá registrar altas produtividades, apesar da seca no início do ciclo, em novembro. O aumento da umidade do solo em dezembro e janeiro foi suficiente para manter o NDVI com boa dinâmica. Dessa forma, a estimativa é de que a produtividade seja 5,1% maior do que em 2021, quando alcançou recorde.

Minas Gerais, por sua vez, também registrou boa evolução do NDVI ao longo de todo o ciclo e aponta para uma produtividade maior em comparação à média registrada no estado. Na Bahia, a seca registrada no começo do mês não é motivo, segundo a empresa, para preocupação. Apesar da umidade do solo ter registrado queda, deverá voltar a subir na segunda quinzena de fevereiro. O NDVI apresenta alto nível há algumas semanas, com estabilidade.

Assunto em pauta no ‘Mercado & Companhia’

plantio do milho - mercado e companhia

Felippe Reis | Foto: Canal Rural/reprodução

O monitoramento da EarthDaily Agro sobre a ampliação do ciclo da soja e, consequentemente, o atraso do plantio do milho segunda safra em alguns estados brasileiros foi tema para a edição desta quinta-feira (16) do telejornal ‘Mercado & Companhia’, do Canal Rural. Entrevistado ao vivo, o analista Felippe Reis conversou com a jornalista e apresentadora Marusa Trevisan (vídeo acima).

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Editado por: Anderson Scardoelli.

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milho - igp-m - USDA - milho transgênico

Foto: Wenderson Araujo-Trilux/CNA

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