Reaproximação comercial com a China influência o agro, diz especialista

Pequenos, médios e grandes empresários, produtores, representantes de associações e cooperativas dos mais diversos segmentos do agronegócio brasileiro embarcaram em comitiva organizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em uma missão oficial para a China nesta semana.  Os três maiores parceiros comerciais do Brasil são China, Estados Unidos e Argentina. EUA e Argentina já foram visitados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a ida à China, ele terá cumprido agenda oficial nos três maiores parceiros nos três primeiros meses de governo. O presidente irá, ainda, a Xangai para visitar a sede do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB).

A viagem representa uma busca por ampliação das relações comerciais e também a consolidação da estratégia da política externa do governo. Junto com o ministro Carlos Fávaro e a equipe técnica do Mapa, que trabalha nos acordos comerciais, simplificação de processos por meio da digitalização, abertura de mercados para novos produtos brasileiros junto às autoridades chinesas, os empresários terão a oportunidade de discutir com o setor privado as demandas de importação e exportação entre os dois países.  O ministro da Agricultura ressaltou que a comitiva representa a diversidade do agronegócio brasileiro. 

Pensando em como a viagem impactará o agronegócio, o Portal Agrolink conversou com o advogado Emanuel Pessoa, especializado em Direito Econômico Internacional, para analisar a importância para o setor. 

Portal Agrolink: Como vai afetar o setor de forma econômica?

Emanuel Pessoa: O Governo busca, na China, reabrir o mercado local para a exportação de carne bovina brasileira. Surtos recentes do mal da vaca louca levarão à suspensão de compras do Brasil, o que tem gerado perdas de cerca de cem milhões de reais por dia em exportações. Ocorre que embora se tenha designado o caso como atípico, a liberação da entrada da carne na China depende de uma autorização formal do governo local. O governo também deve buscar apoio às suas intenções de reindustrialização, por meio de mais de acordos comerciais a serem firmados com a China. Também na agenda o lobby do governo para que Dilma Roussef seja indicada para a presidência do Banco dos BRICS.

Portal Agrolink: A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. Na viagem, a primeira de Lula para o hemisfério oriental, o governo vai buscar reforçar os laços com Pequim e diversificar os produtos que exporta para o país. O Brasil quer vender mais itens industrializados, e não se concentrar somente em commodities, como soja e minério de ferro. Pensando no agro – Como enxerga esse ponto?

Emanuel Pessoa: Esse ponto sempre é muito positivo, mas o problema de fundo permanece. Para que o Brasil seja capaz de exportar mais produtos de valor agregado, particularmente produtos industrializados, é essencial que o país se torne mais competitivo, o que exige um sistema tributário mais racional, uma logística adequada e uma mão-de-obra qualificada. De nada adianta abrir um mercado se não tivermos bens capazes de competir naquele mercado. Assim sendo, embora a iniciativa seja bem vinda, ela exige que o Governo faça o dever de casa e, finalmente, aprove as reformas que podem baratear o custo-Brasil e aumentar a produtividade da nossa mão-de-obra.



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