Mandante de latrocínio de advogado, contador é condenado a 62 anos de prisão | …

O contador João Fernandes Zuffo foi condenado nesta semana a 62 anos de prisão como mandante do latrocínio do advogado João Anaides Cabral Netto, de 49 anos, ocorrido há quase dois anos. João foi assassinado com um tiro na cabeça após um grupo armado executar uma série de arrastões por propriedades rurais de Juscimeira (a 157 km de Cuiabá). Os criminosos anunciavam o roubo, rendiam as pessoas do local e subtraiam os pertences das vítimas. 

Na data do crime, em julho de 2021, o grupo criminoso invadiu o condomínio de chácaras Flor do Vale, roubou algumas propriedades e na última delas, em que estava João, amarrou as pessoas que estavam na casa. O advogado e mais uma vítima do assalto foram amarrados separadamente em um banheiro. Seis crianças foram feitas reféns. Os suspeitos começaram a roubar objetos pessoais das vítimas e logo em seguida foi ouvido um disparo de arma de fogo vindo do banheiro.

Reprodução

Advogado Jo�o Anaides Cabral Netto

João Anaides Cabral Netto foi assassinado com um tiro na cabeça após um grupo armado executar uma série de arrastões em Juscimeira

A vítima que estava trancada no banheiro junto com o advogado relatou que um dos suspeitos arrombou a porta e efetuou um disparo na cabeça de João Anaides. Após o disparo, os criminosos fugiram do local levando duas caminhonetes, sendo uma delas do advogado.

Além do roubo majorado (concurso de pessoas, restrição de liberdade, emprego de arma de fogo e com resultado morte), o réu de 55 anos foi condenado  como autor intelectual e mandante do latrocínio, por constituir organização criminosa e por corrupção de menor.

Outros dois réus receberam penas de 48 e 38 anos pelos mesmos crimes. Os três não podem recorrer em liberdade. No inquérito policial que apurou o crime, sete pessoas, entre elas o mandante, foram indiciadas pela Polícia Civil. Dois adolescentes também respondem por ato infracional análogo aos crimes de roubo majorado e por integrar organização criminosa. 

Durante a Operação Flor do Vale, deflagrada pela Polícia Civil setembro de 2021, foram cumpridas as prisões preventivas de parte dos envolvidos no crime e o principal investigado ficou foragido por alguns meses, até ser localizado, em Cuiabá, em dezembro do mesmo ano, após diligências do Núcleo de Inteligência da Delegacia Regional de Rondonópolis e apoio da GCCO.

Organização criminosa

O inquérito conduzido pela Delegacia da Polícia Civil de Juscimeira apurou as circunstâncias e identificou os envolvidos no roubo ocorrido no dia 17 de julho de 2021, que vitimou o advogado João Anaídes.

De acordo com o delegado Ricardo Franco, que conduziu o inquérito à época, as provas produzidas e indícios reunidos no inquérito demonstraram a liderança de um contador de Rondonópolis no planejamento e execução de diversos crimes patrimoniais ocorridos na região. Ele planejava, apontava e indicava aos comparsas do grupo criminoso os lugares para executar os roubos, entre eles o que ocorreu no condomínio de chácaras onde três propriedades foram alvos do grupo e em uma o advogado foi morto.

O contador tem uma chácara no mesmo condomínio onde ocorreu o latrocínio e na data ele estava na propriedade, onde aguardava a conclusão do roubo, se passando por vítima.

Um dos criminosos presos durante a operação Flor do Vale era funcionário do contador. A investigação identificou ainda a participação dele, do patrão e de outros dois em outro roubo cometido também contra um advogado, em dezembro do ano passado, quando foi levado um veículo BMW da vítima, em Cuiabá. Na ocasião, o contador estava presente no local do roubo e se passou por vítima.

No decorrer da apuração para esclarecer o roubo nas chácaras, a Polícia Civil chegou a outros dois crimes cometidos pelo mesmo grupo – o roubo de um veículo em Cuiabá e outro executado também em Juscimeira.



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